Sara Cerdas quer maior agilização para o combate ao cancro

Sara Cerdas defendeu maior agilização na criação de um espaço europeu de dados em saúde, durante um debate sobre a digitalização e o combate ao Cancro, promovido pela Organização Europeia do Cancro - European Cancer Organization.

Na ocasião, a eurodeputada referiu que “neste momento, no Parlamento Europeu, estamos a apelar à construção de um espaço europeu de dados em saúde, como explanado no programa europeu para a saúde, o EU4Health. Para termos este espaço, de forma tão abrangente, precisamos de ter mais conectividade e melhor interoperatividade entre os sistemas e dados de saúde”.


“Seria importante um espaço comum de dados em saúde na Europa que permitisse obter um registo de utentes partilhado para, por exemplo, compreender se estes estão vacinados ou se os rastreios estão de acordo com as orientações europeias. Se tornarmos esta partilha de dados uma realidade, certamente contribuirá para o combate ao cancro, o tratamento e a acessibilidade aos cuidados”.


A também vice-presidente da Comissão Especial de Combate ao Cancro no Parlamento Europeu, considera que, para além desta acessibilidade à informação a partir de qualquer lugar na Europa, o espaço comum de dados em saúde permitiria trazer maior evidência científica da gestão em saúde às políticas europeias. Defende, por isso, que com mais dados disponíveis seria possível compreender melhor como as doenças se desenvolvem e como os diferentes factores influenciam o aparecimento das doença e o efeito dos diferentes tratamentos nos doentes.


“Ao disponibilizar estes dados aos investigadores, cumprindo os princípios de confidencialidade e segurança, uma vez que são dados muito sensíveis, estas informações poderiam permitir verificar, por exemplo, os riscos comuns nos diferentes países, em especial nos cancros raros, e traçar um perfil para apostar na prevenção primordial e primária. Por vezes disponibilizamos sem questionar os nossos dados a terceiros, como às redes sociais e a outros aplicativos, mas somos céticos quanto ao seu uso em investigação. O valor acrescentado que estes dados trariam à investigação em saúde seria, diria, incalculável”.

A eurodeputada, durante o debate, abordou ainda o potencial da digitalização, em especial para as Regiões Ultraperiféricas e regiões mais remotas, tendo em conta os seus constrangimentos. “A conectividade e a interoperabilidade dos dados, a nível regional, nacional e europeu, reverter-se-á em ganhos em saúde. Os sistemas têm de falar entre si, o que atualmente não é uma realidade. Esta falta de comunicação apresenta dificuldades à gestão, aos profissionais de saúde e ao próprio paciente.”

A socialista trouxe ainda ao debate outras temáticas, como o direito dos pacientes a ter uma segunda opinião sobre as suas opções de tratamento, o que seria facilitado pela telemedicina.